INSÍGNIA E LEMA

INSÍGNIA E LEMA
CONQUISTANDO OS CORAÇÕES SE VENCE A LUTA

domingo, 17 de maio de 2026

 COMBATENTES - ANÁLISE SOCIOLÓGICA

https://www.facebook.com/reel/1264859602208679


Carlos Jorge Mota

 BATALHÃO DE CAVALARIA 2870 - CONFRATERNIZAÇÃO 2025 - 

Sábado, dia 7 de Junho de 2025, em Fazendas de Almeirim, realizou-se a Confraternização do Batalhão de Cavalaria 2870, com a presença de 59 militares, acrescidos das respectivas famílias.
A Companhia de Caçadores 2506, a nossa Companhia, por convite já implícito extensivo a todos os elementos, fez-se representar pelos Camaradas Carlos Jorge MOTA, Francisco Conceição FREITAS e Manuel CARVALHO, cujos nomes foram anunciados pela Organização e evidenciados fisicamente, tendo a Companhia 2506 sido explicitamente citada pelo 'Nosso Maior', ex-Major Ló (actualmente Coronel, na Reforma), sempre com palavras de simpatia para todos nós, no seu conjunto, considerando-nos um prolongamento do seu Batalhão.
Local aprazível, Convívio fraterno, algumas ausências justificadas, bem servido em todas as vertentes, sendo um momento de se rever Camaradas que rendemos na Coutada de Mucusso e outros que estiveram envolvidos em Operações comuns, muitos deles já com grande relação afectiva connosco decorrente das interacções constantes quer presenciais quer via Redes Sociais
Bem hajam!

O nosso 'Maior' entre Camaradas

Carloa Jorge Mota

sexta-feira, 15 de maio de 2026

 29a. CONFRATERNIZAÇÃO - 2025 -

Após uma acção exploratória 'in loco' pelo "Núcleo Duro" actual e ponderados os condicionalismos cada vez mais presentes pelo cavalgar no tempo, foi decidido manter-se a localidade do ENTRONCAMENTO, igualmente no BY TRINCANELA, mas no único edifício actualmente em funções (o anteriormente por nós utilizado foi encerrado).
Assim sendo, e mantendo-se a data tradicional do sábado mais próximo ao dia do nosso Embarque, fica já assente que a
29a. CONFRATERNIZAÇÃO - 2025 - se efectuará
Dia 10 DE MAIO, com hora de Encontro para as 11:50, no próprio Restaurante,
local aprazível, que dispõe de Estacionamento de razoáveis dimensões, com vista para o Lago e Parque de Lazer, com uma sala privativa para o evento.
Endereço:
Parque do Bonito
Rua do Bonito, n⁰ 6
2330-534 Entroncamento
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Após retorno por parte de BY TRINCANELA, na sequência da nossa deslocação lá, temos já mais elementos informativos relacionados com a próxima Confraternização:
E M E N T A
ENTRADAS:
Queijo e Enchidos
Patés
Pão e Azeitonas
Salgadinhos
Saladas Frescas e Compostas
SOPAS
PRATOS DISPONÍVEIS:
PEIXE:
Bacalhau à Lagareiro
AVES:
Perna de Peru com Laranja
CARNE:
Vitela com Castanhas e Cogumelos
VEGETARIANO:
Legumes à Brás
SOBREMESAS:
Selecção de Doces
Frutas da Época e Exóticas
Salada de Frutas
BEBIDAS:
Água
Sumo
Cerveja
Sangria
Vinho da Casa
CAFÉ
Espumante e Bolo da Companhia
O Serviço é "Self-Service", como habitualmente, e à discrição.
Preço:
Adultos: € 29
7 a 12 anos: € 14
3 a 6 anos: € 7
Até 2 anos: Grátis
Os Camaradas, face ao que precede, poderão começar já a inscrever-se, indicando o total (se com acompanhantes), para facilitar a composição das mesas. Convirá inscrição telefónica, mesmo que seja feita alguma alusão neste Mural, pois a experiência demonstrou que alguns Camaradas se julgaram inscritos só porque o manifestaram nas Redes Sociais, alguns dos quais no seu próprio mural, que não foi visto pelos responsáveis da gestão da Confraternização.
Entretanto, para os restantes que aqui forem omissos, seguirá informação via contacto mais adaptável, no sentido de minorar gastos logísticos.
CONTACTOS:
Carlos Jorge MOTA: 919 862 347
Manuel CARVALHO: 918 705 708
Mário BOAVISTA: 965 774 634
Até breve e ... saúde!

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29a. CONFRATERNIZAÇÃO - 2025
E N T R O N C A M E N T O - 10 de Maio 2025

No Restaurante By Trincanela, no Entroncamento, ocorreu a nossa 29a. Confraternização, numa sala reservada em exclusividade para nós.
Presentes 82 pessoas das quais 38 militares, mais a viúva do saudoso Angelino Nunes (D. Marieta, filha e genro, que nos honraram com a sua simpatia).
Ambiente de franco convívio, numa sala reservada para o efeito, com vistas para o Lago e Parque do Bonito, propiciador de conversação amena e fraterna.
Bem servida em todas as valências, inclusive no regadio.
Nota: estivemos a aguardar pela chegada de fotografias profissionais, o que ainda não ocorreu, mas esperar mais tempo ficaria desajustado. Assim, logo que recepcionadas, serão aqui colocadas. Fica, pois, apenas, a do Bolo da Companhia, antes do corte pela D. Marieta









Carlos Jorge Mota









 ESCOLTA DESDE LUANDA, VIA DONDO, A MAQUELA DO ZOMBO

Primeiros dias de Junho de 1969.
Chegados a Angola e ainda não tinham decorrido 20 dias, quando “pela 2ª vez” novamente, fomos designados para uma nova missão. A Companhia 2506, cedia assim, os dois únicos condutores, Freitas e Carvalho, que até aí, tinham recebido viaturas, “Unimogs”. O Furriel Sérgio, foi assim, também o primeiro da 2506, a ser nomeado para comandar um Grupo de homens, (segunda secção) que tinha como incumbência, fazer protecção a uma só viatura, camião civil, que saía de Luanda (Grafanil) com destino a Maquela do Zombo, “Zona Critica” agora, bem mais a Norte de Angola. Uns dias antes tínhamos estado já muito perto desta localidade, EU, Freitas e o Carvalho (a uns 65 quilómetros) a quando da nossa primeira saída, a S. Salvador do Congo. Os civis, como era normal, transportavam alimentos e outros bens, enquanto os militares, faziam a respectiva protecção. Neste caso, a coluna era pequena, apenas composta por três viaturas. Dois Unimogs e um camião civil, que por sinal, não transportava viveres alimentares ou similares, mas sim, um carregamento de armas e munições. Para lá chegar, porém, era necessário percorrer aproximadamente 760 Km sendo que, 497 eram em asfalto, e os restantes 268 em terra batida. Já no regresso, a distância era para ser encurtada em 160 Km, “esteve planeado” mas não aconteceu. O regresso acabou por ser feito usando o mesmo percurso. Quando digo esteve, mas não aconteceu, é que de facto no regresso a Luanda, um pouco antes de chegar a NEGAGE, se virasse-mos à direita, em direcção à cidade de Carmona, e seguindo por QUITEXE, ALDEIA VIÇOSA, VISTA ALEGRE, PIRI, UCÚA, MABUBAS, CAXITO, CACUACO e por fim LUANDA. Encurtaríamos os tais 160 Km, ficando assim pelos 600, o regresso ao GRAFANIL. Este percurso, também já era todo em asfalto. A quando da nossa segunda paragem no Negage para reabastecimento, e como no mapa nada nos mostrava a não ser um itinerário mais curto e por isso, mais apelativo e convidativo a ser seguido, foi comentado esta pretensão com alguns militares ali destacados. Realmente, para Luanda via Carmona, “segundo o parecer desses militares” seriam muitos os quilómetros poupados, todavia, “os riscos eram grandes, e a possibilidade de ser atacados, era muito elevado, diziam eles”. Esta via, atravessava pontos nevrálgicos e de grande turbulência, sendo esta levada a cabo, pela guerrilha da MPLA. “Aldeia Viçosa e Vista Alegre, dias mais tarde, foram mencionadas na Rádio pelas piores razões”. Os ataques por aquelas bandas eram muito frequentes, e nós, novatos e inexperientes, não estávamos inteirados dessas situações, e muito menos preparados para o caso de alguma dessa eventualidade surgir. Por isso, o que então se pensou, pensou-se mal. Avisados dessa eventualidade, “mais vale prevenir que remediar” continua-mos o trajecto pelo qual já tínhamos passado e sem problemas.
Estes números para alguns, até podem ser enfadonhos, isto é, pouco lhes dizem. Todavia, para aqueles que andaram por aquelas paragens, têm alguma importância. Com carros como eram, “os BURROS DO MATO” (muito rápidos e confortáveis) e que atingem velocidades estonteantes, “60 Km, hora!” na melhor das hipóteses, raramente atingíveis. Reparem? Nas horas que eram precisas para chegar ao destino. (Façam as contas, onde é que eu já ouvi isso?) Nunca menos de 16, digo eu. Isto é. Para se fazer num dia, teríamos que sair do Grafanil às 06:00 H e chegar por volta das 22:00H, sem parar, mesmo para comer ou fazer xixi, impensável. Por outro lado, por aqueles sítios, poderia tornar-se um suicídio andar de noite… nem pensar tal coisa. Mediante estes considerandos e não só, foram necessários dois dias para ir e outro tanto para regressar ao (Grafanil) Luanda.
CONCEITO DAS DISTÂNCIAS:
Estamos a falar de distâncias que, naquele tempo, ainda eram pouco percorridas, “por cá”. Senão vejamos. Qual a distância desde Valença a Faro? Aproximadamente 700 quilómetros. Quantas horas eram necessárias para percorrer essa distância? Muitas? E tudo isto ao tempo, já em estradas com razoáveis condições, nada parecidas, com a maioria das que encontramos e andamos em Angola. Ainda não havia auto-estradas. Daí, fazer algumas referências no que diz respeito aos quilómetros, serve também para se ter uma mais real noção, das distâncias que muitas vezes tínhamos que percorrer para chegar a um determinado destino.
ESTAMOS NA ESTRADA
Partimos do Grafanil bem cedinho, virados a Sul pela estrada que leva a Nova Lisboa, até alcançarmos a cidade do DONDO, depois de termos deixado para trás, VIANA E ZEMZA DO ITOMBE, esta última localidade, onde um ano mais tarde seria palco de uma operação realizada com militares da nossa Companhia,” 2506”, depois de regressados, “das terras do fim do mundo” Coutada do Mucusso, no Distrito CUANDO CUBANGO, Sul de Angola. No Dondo, mudamos de direcção, seguíamos agora virados a Leste até LUCALA, no entanto, fizemos a primeira paragem na cidade de SALAZAR, “capital do distrito Cuanza-Norte”, para o desejado almoço (Ração de Combate) e consertar um pneu “Furo” sendo muito bem recebidos pelo Oficial de Dia à unidade militar ali existente.
EPISÓDIO INSÓLITO:
Tinha-mos deixado para trás a “cidade” de Salazar e já depois de percorridos umas dezenas de quilómetros, no meio do nada, deparamo-nos com um homem de cor, transportando uma catana a caminhar só, pele berma da estrada. Suspeitos como eram, quando andavam longe das povoações, leva a coluna a parar, abordando-o. Saltando para o chão, (não me lembro quem foi) um dos nossos companheiros, mais afoito e tresloucado, ou quem sabe, aguerrido: julgando tratar-se de um possível (TURRA) “denominação de Terrorista” agarrou-o. (o homem, possivelmente, temendo o pior manteve-se sereno) O certo é que mesmo ali, parecia ter intensões de o querer mandar de viagem sem regresso, para o além. Para aquele prometido paraíso onde, (entre aspas) “inocentemente” pensam que vão encontrar lindas odaliscas loiras, e que depois de saciados e talvez aborrecidos pela solidão encontrada, julgam poder deixar, regressando para junto dos amigos. O Furriel Sérgio, que seguia no mesmo Unimog e tinha dado a ordem para parar, ao dar-se conta do rumo e rapidez que aquela inesperada abordagem estava a ter, salta para a estrada e aproximando-se, dá ordem ao militar “ que não se lembra o nome” para manter a calma, e virando-se para o angolano pergunte-lhe: com aquele ar muito peculiar que ainda hoje mantem; “e com espanto de todos os que presenciavam, pelo teor da pergunta” Sabes dizer o Pai-nosso? Num Português razoavelmente legível, mas a tremer que nem uma vara verde; Responde, dizendo que sim, e abanando a cabaça em sinal afirmativo. Ora diz lá? O homem, com voz tremeliquenta, começa e acaba. Segue o teu caminho, vai-te embora, diz-lhe o F. Sérgio. O homem dá corda aos “sapatos” e a coluna retoma o caminho.
RESSALVA
Este episódio, é um extracto da versão contada, pessoalmente pelo ex. F. Sérgio, num encontro a três: Freitas, Carvalho e Sérgio, que tivemos na tarde do dia 22 de Junho de 2015, num conhecido e grande centro comercial, em Rio Tinto, no Porto.
Novamente a rodar e chegados a LUCALA, finalmente, viramos para Norte, para seguir a estrada que nos levaria até MAQUELA do ZOMBO, quando ainda tínhamos muitos e desconhecidos quilómetros pele frente. Como por aquelas bandas não era aconselhável “como já o referi” rodar de noite, pernoitamos no NEGAGE, onde havia um Aquartelamento militar. Atendendo à carga que levava-mos, só num quartel poderíamos ficar. Entretanto, tinha-mos deixado para trás SAMBA CAJU e CAMABATELA, povoações com mais destaque, mas sempre em movimento. No NEGAGE, a hospitalidade foi espectacular. Fomos recebidos pelo Tenente Coronel Cepeda, (informação do Sérgio) comandante da unidade, que permitiu tomássemos um reconfortável duche de água tépida, fruto da temperatura ambiente, e ainda, convidados para jantar. Perante as circunstâncias, nada mau.
COMPANHIA QUE NÂO CHEGA
Estava previsto sem que nós o soubéssemos, que a partir de NEGAGE, não seguiríamos sós. O Sérgio recebeu ali instruções nesse sentido. Teríamos assim, que aguardar a chegada de uma companhia militar que seguia o mesmo destino. A nossa espera já ultrapassava largamente as duas horas, e sinais da companhia, nada. Comunicações não havia. Passado mais algum tempo, recebemos novas instruções. Como a companhia não chegava, deveríamos pôr-nos a caminho, caso contrário, corríamos o risco de ter que andar já noite dentro, nada recomendável. Logo que a coluna militar chegasse, “disseram” receberia ordens para nos seguir e ainda talvez nos alcançasse. O que não aconteceu até chegarmos até MAQUELA. Era-mos mesmo maçaricos e inexperientes. Serviríamos nós de algum tipo de engodo, ou bluff? Naquele momento, tal coisa não passou pela cabeça de ninguém e assim, seguimos o nosso caminho sem grandes receios. Hoje acredito, que foi uma estratégia porventura, bem arquitectada, já que em todo o percurso não fomos importunados. O nosso inimigo, nem por sombras sonhava, que aquele camião civil, fazendo-se acompanhar de uma escolta tão pequena, transportava armamento. O engodo, terá sido a esperada chegada da companhia “fantasma” que seguiria no nosso encalço, mas que naqueles dias subsequentes, não chegou.
PARTIDA DE NEGAGE
Chegamos sós, sós parti-mos:
A viagem recomeçou como tinha iniciado, sós. Depois de termos ganho um pequeno-almoço quentinho acompanhado de casqueiro, e de esperar por quem não chega, voltamos à estrada, para percorrer os restantes quilómetros que faltavam, ainda eram 278 e muito penosos, por serem agora todos “em estrada sim” mas tipo picada de terra batida. A partir daqui, era comer pó com fartura, até dizer basta, menos quando se ia na frente. Mas, como de vez em quando alternávamos esse lugar, todos se fartaram de levar com pó. Todavia, para amenizar essa adversidade, e permitir respirar um ar mais limpo, usamos como filtro o lenço “especial” que levávamos à volta do pescoço, sempre atenuava alguma coisa. O andamento das viaturas baixou muito. Era necessário redobrar de atenção ao que nos rodeava e mesmo ao piso suspeito. Inimigos não faltavam, reconhece-los é que era o problema. As minas por ali, por vezes, faziam elevados estragos, tanto nas viaturas como em baixas humanas. Mesmo no asfalto, os nossos opositores, colocavam por vezes minas anticarro. Cortavam um círculo no asfalto, cavavam um buraco onde colocavam a bomba, voltando a pôr o tapete recortado. Em relação ao piso em terra, essa possibilidade aumentava imenso, por se tornar mais fácil para eles disfarçar as suas pretensões, “armadilhas”.
Os primeiros cerca de 50 quilómetros estavam percorridos, passava-mos então na vila do BUNGO e constatamos, que alguns dos seus habitantes, principalmente crianças, nos acenavam, manifestando talvez, alguma alegria por nos ver passar. Com um ou outro aceno da nossa parte, continua-mos a nossa viagem até que surgiu, 31 de Janeiro, (não se trata de uma data de calendário) era como a povoação se designava, tinha-mos ali superado 114 quilómetros, e olhando para trás, não se vislumbrava sinais de aproximação de qualquer coluna militar, conforme no NEGAGE nos deram essa indicação. Aqui paramos para comer o que levava-mos, ração de combate. Hoje sei, terem sido confeccionadas e preparadas nas instalações da Manutenção Militar em Lisboa, actualmente, Museu. Como em qualquer povoação havia militares destacados, o que nos transmitia alguma confiança, aproveitamos também para molhar as goelas com uma cervejola, mais ou menos fresca, comprada na cantina militar. Por ali, ainda se podia beber e conduzir, não havia policia a mandar soprar ao balão. Tendo ainda algumas horas pela frente, aí vamos nós dando o máximo que podia-mos, e o que a picada permitia andar. O norte de Angola, já naquele tempo era o mais povoado, e por isso, de vez enquanto surgiam lugarejos, alguns pequenos, mas outros, já com alguma dimensão, como era o caso da vila do DUMBA e mais adiante a de QUIBOCOLO, quando apenas faltavam para chegar ao nosso destino, aproximadamente três dezenas de quilómetros.
FINALMENTE CHEGAMOS
MAQUELA do Zombo, ali estava, um pouco antes do pôr-do-sol. Um rápido olhar e Logo se verifica, não haver muitas diferenças de tantas outras povoações que pelo caminho passamos. Seria porventura, uma povoação estrategicamente importante, perante a aproximação que tinha à Fronteira, cerca de 30 KL, do CONGO. Dirigimo-nos de imediato ao Quartel, (grandes instalações como se vê na foto) onde por assim dizer mais uma vez fomos razoavelmente recebidos. Confesso, que não tenho nenhuma ideia por quem, de qualquer maneira, era ao Furriel Sérgio, que competia essa missão. (Também não se lembra) Nós, condutores, no geral, limitávamo-nos a cumprir as ordens que nos ditavam. Tivemos direito, sendo para isso convidados, a usufruir de uma refeição à hora do jantar, mas antes, os que quisessem, poderiam tomar um banho de água natural, afim de, se libertarem da camada de pó que a todos cobria. MAQUELA do ZOMBO, como era Sede de Concelho, podia ter a designação de cidade, todavia para nós, era irrelevante. Porém, de uma coisa tinha a certeza; em nada se parecia com a cidade do Porto, Lisboa ou mesmo a de V. N. de Famalicão. Estava longe mesmo, de ter as condições que já existiam mesmo na minha aldeia. (Televisão!) ou qualquer coisa do género não havia, uma cessão de cinema, mesmo que fosse ao ar livre, também não! Só nos restava após o jantar, ir descansar, e se possível dormir. Também é certo que não havia ordens para mais nada, mesmo assim, tanto eu como o Carvalho e outros companheiros de viagem, “autorizados” ainda nos distancia-mos do Quartel uns duzentos metros, ao encontro de uma barraca, que se via dali, para saborear uma CUCA.
QUE CHATICE! LOGO OS QUATRO?
Depois de uma noite mais ao menos repousada e já com o Sol por companhia, este, por estas bandas tem por hábito levantar-se muito cedo. Nós condutores, tínhamos como principais tarefas; atestar as viaturas, verificar os níveis da água e óleo do motor e comprovar se tudo estava bem com a viatura, para que a qualquer momento pudéssemos voltar nas melhores condições à estrada. Quando me aproximei do Unimog, fiquei atónico com o panorama. Reparo que tinha os pneus todos em baixo, ou seja vazios. E era só o meu, que chatice! Logo os quatro!? Como era possível tal situação acontecer? Estávamos nas instalações de um Quartel!? Já prevêem a tarefa que eu tinha pela frente? Claro. Não havia outra opção que não fosse tirar todas as rodas e ver o que se passava. Ainda pensei que os tivessem esvaziado, puro engano, estavam mesmo furados. (7)! Eram os furos encontrados nas quatro câmaras-de-ar, que concertei, com ajuda, diga-se, do amigo Carvalho e outros militares. Durante este trabalho, uma questão andava no ar? Como aconteceram aqueles furos se não havia pregos ou outros objectos perfurantes espetados nos pneus? Para esta pergunta não tivemos resposta, e quando retomamos a viagem de regresso, fizemo-lo com uma certeza!? Jamais a teríamos. Na dúvida porém, a conclusão que tirei do sucedido, foi que os pneus terão sido furados por malandrice, uma partida de algum militar do quartel, quiçá, ali por perto, gozando com a minha frustração, desolação e esforço. Éramos ainda maçaricos, e eles sabiam-no. Terá sido, mais uma das partidas que alguns brincalhões, que os havia, apesar do risco; lhes dava algum gozo praticar. Muitas, até teriam alguma graça, mas esta, para mim, não teve mesmo graça nenhuma. Acaso não tivéssemos este trabalho suplementar, poderia com os companheiros que me auxiliaram, ter algum tempo disponível para conhecer um pouco mais daquela povoação, que distava da fronteira a Norte, umas 3 dezenas de quilómetros, e a 310 apenas da Capital do CONGO, Kinshasa.
Uma Ressalva. Não me lembro se o F. Sérgio teve ou não conhecimento deste caso, “o próprio diz que não”. Passaram já desde esse tempo, rigorosamente 46 anos, tempo suficiente, para muito do que por lá passamos, tenha de alguma forma passado ao esquecimento. Normalíssimo. (Desta chatice, jamais podia esquecer-me)
REGRESSO AO GRAFANIL (inverso da viagem)
Chegou a hora de regressarmos à estrada, retrocedendo em direcção ao Grafanil. Das três viaturas que partiam, só a civil seguia mais leve, nada transportava, o que facilitaria talvez um pouco o andamento. Quanto à minha viatura e a do Carvalho, carregavam exactamente os mesmos homens.
Nada de anormal aconteceu no regresso para NEGAGE, onde passamos mais uma noite e tiramos o pó que acumulamos pelo caminho. Foi sempre a andar, só parando o tempo suficiente para o almoço, comendo o que a ração de combate continha, a bebida, era a do cantil que cada um dispunha. Quanto à companhia, que tinham dito que por ali passava, teimava em não aparecer. Estaríamos com sorte, ou tivemos mesmo sorte? Aquele trajecto tinha muitas e dolorosas histórias. Muitos ataques foram por ali perpetrados, como há relatos. Posteriores, e muitos mais anteriormente à nossa passagem. Não podemos esquecer que a prospecção dos diamantes fica para aquelas bandas, logo um belo pretexto para se fazerem emboscadas.
Como não havia furos para concertar ou qualquer outro tipo de contratempo, partimos logo após ser servido o café, pequeno-almoço, que não dispensávamos. Tinha-mos ainda muitas horas de asfalto pela frente a percorrer para tentar chegar no mesmo dia ao Grafanil. A partir daqui, o piso facilitava o andamento das viaturas e as possibilidades de sermos importunados baixava de nível, segundo as informações entretanto recolhidas, junto dos militares no Negage. Informações essas, que não desfrutávamos quando partimos do Grafanil e portanto, fomos à ceguinhos e sem temor a nada. Se calhar, até julgávamos que estávamos percorrendo estradas no Minho. Digo no Minho, porque em parte, é onde a paisagem mais se assemelha por aqueles lados.
O Sol já se punha no horizonte, quando estacionámos as viaturas junto das improvisadas casernas que havia no Grafanil. A nossa missão estava cumprida. Tínhamos acabado de fazer mais uma rica rodagem aos Unimogs, percorrendo em quatro dias, 1520 quilómetros. Será que iriamos ter tempo para descansar?
Redacção dos então condutores Carvalho e Freitas, em articulação com o então Fur-Mil Sérgio.